Hospitais particulares que atendem pelo SUS em Maceió podem decretar falência

Hospitais particulares que atendem pelo SUS em Maceió podem decretar falência

23:45 12 setembro in Notícia em destaque

Por Rafael Maynart e Pedro Ferro

Prazo de 60 a 90 dias para repasse dos recursos referentes aos procedimentos deve prejudicar unidades

Procurador Cássio Araújo é a favor da mudança de prazo.

Procurador Cássio Araújo é a favor da mudança de prazo

Gestores de hospitais filantrópicos de Alagoas temem suspender os atendimentos a pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS) caso os repasses feitos pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) continuem com os prazos de 60 a 90 dias para serem feitos. Representantes da Santa Casa de Maceió e dos Hospitais Sanatório e do Açúcar estiveram reunidos, na tarde desta segunda-feira (12), com os promotores e procuradores dos Ministérios Público Estadual (MPE), Federal (MPF) e do Trabalho (MPT).

De acordo com o procurador Regional do Trabalho, Cássio Araújo, até 2014, os repasses eram feitos de 10 a 15 dias, mas, desde o ano passado, eles estão sendo realizados de 30 a 45 dias e podem passar para 60 dias, o que está prejudicando situação financeira dos hospitais, inclusive com o atraso no pagamento de salários e compra de insumos. Os gestores querem que o governo retome o prazo inicial para não decretar falência.

“Esse longo prazo pode causar o fechamento de um hospital, tendo em vista que essas instituições filantrópicas não possuem capital de giro para pagar os salários dos servidores e fazer a compra de insumos. O negócio já está sério agora e vai ficar ainda mais com esse prazo que pode aumentar de 60 a 90 dias já sinalizado aos hospitais. Por exemplo, o Hospital do Açúcar tem uma parte da folha do mês atrasada e parcelas do 13º salário. Isso é um grande problema”, informou.

Segundo o diretor administrativo do Hospital Sanatório, Júlio Bandeira, o hospital atende 60% dos pacientes pelo SUS. Atualmente, são realizadas cerca de 500 cirurgias no Sanatório e feitas 300 transferências de leitos cedidos a pacientes vindos do HGE.

“Não temos reajuste há mais de 15 anos pelo SUS, inclusive nos preços dos procedimentos. E esse valor do repasse que, no Sanatório supera a casa de R$ 1 milhão, é apenas para os insumos, enfermeiros, auxiliares, e não é incluído o corpo médico. Além disso tudo, o Prohosp, que é um incentivo do Estado, está com três meses de atraso e os médicos estão sem receber os honorários. Juntando tudo, estamos em pré-falência. Se continuar com esse prazo, vamos ter atraso de salários”, informou.

Edgar Antunes, do Hospital do Açúcar, fala em atraso de salários

Edgar Antunes, do Hospital do Açúcar, fala em atraso de salários

O presidente do Hospital do Açúcar, Edgar Antunes, informou que 60% da folha está atrasada, além de uma parcela do 13º. O gestor ressaltou que a situação é delicada. “É uma situação difícil. Os hospitais filantrópicos estão com risco de fechamento. Queremos alertar o Poder Público sobre isso. Não temos condições de sustentar dois, três meses, em virtude dessas mudanças de prazo”, disse  Edgar.

Estiveram também na reunião representantes dos Sindicatos de Radiologia, Sindicato dos Enfermeiros e do Sindicato dos Técnicos em Enfermagem.

A assessoria da Sesau emitiu uma nota esclarecendo o assunto. Confira:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) informa que o pagamento dos Termos de Compromisso e Contratualizações é realizado depois que a Superintendência de Auditoria, Controle e Regulação (Suraud) consolida e audita a produção das unidades hospitalares referente ao mês anterior.  Com isso, a produção referente ao mês julho, que foi entregue pelos hospitais filantrópicos e particulares em agosto, está sendo auditada pelos técnicos da pasta, visando comprovar o cumprimento das metas pactuadas, para que o pagamento venha a ser liberado, respeitando os princípios da transparência e lisura com os recursos públicos.

Fonte: Gazetaweb.com